Quando tinha, sei lá, uns 6 ou 7 anos, já lia A Bola. Pouco tempo depois, e porque na altura custava uns meros 60 cêntimos, lá ia eu à mercearia da Ti Florinda e do Ti Estevão comprar o jornal. E, assim, ficou decidido desde cedo: queria ser jornalista desportivo. Fast forward, consegui sê-lo, passados alguns anos, tendo passando ainda por outras secções de jornais, e escrever sempre me agradou. Não sempre, a obrigação aliada à fraca saúde mental e baixa autoestima pode ser um problema, mas muitas vezes era ainda divertido.
Tive blogues de poesia, escrevi textos engraçados no básico e no secundário, durante e depois do jornalismo, e agora de novo. Ajuda a isto que eu ache que qualquer expressão artística exímia é digna do mesmo espanto do que as maravilhas da ciência ou da natureza. Algo que está explicado, mas que parece o que mais será parecido com Deus. Um bom livro ou filme, por exemplo, desperta em mim um fascínio pela cabeça e alma que os concebem.
Já escrevi um texto sobre o Auster, estou agora a ler Roth, não há muito tempo li o Ensaio Sobre a Cegueira. Já quis ser escritor, mas parece-me agora irreal e irrisório. Talvez um dia tente uns pequenos contos, ou noutro dia volte a poesia, que era terrível, mas sacar um livro da minha fraca cabeça e criatividade parece-me absolutamente estapafúrdio.
Mas, então, por que escrevo? Posso justificar-me com o gosto pela arte, claro. Posso justificar-me com ser uma forma de me exprimir, claro. Posso justificar-me com a minha psicóloga que diz que deitar estas coisas cá para fora me pode fazer bem, claro. Mas tudo isto está encapsulado numa dor que é causa ou/e consequência de um egocentrismo desmesurado. A minha dor, a minha autoestima, a minha saúde mental, “olhem para mim”…
Tendo referido que não me ia baldar à experiência interna da minha saúde mental neste site, mas que não iria fazer disso bandeira, abordando ainda outros temas, que já abordei e prometo continuar, é-me complicado fugir a isso. A medicação faz o que pode e a minha terapeuta, apenas de 15 em 15 dias, o que não é bem terapia, idem.
Quando escrevo é dos poucos momentos, visto fazê-lo de jorro, em que ultrapasso o final boss do meu videojogo: lidar com frustração, ter espírito de sacrifício e adquirir método e capacidade de trabalho sem bloquear. O curso que estou a fazer é extenso, com centenas de horas de merdas, e, visto que começo como rececionista da CUF Descobertas a 1 de setembro, preciso urgentemente de fazer escolhas para pelo menos meter o site no ar e fazer algumas brincadeiras nas redes sociais. 15 dias… que pânico. Isto custa-me, mas escrevê-lo liberta-me um pouco, mesmo que amanhã volte ao mesmo.
Portanto, é melhor escrever o que vou fazer: saltar partes à frente, fazer o básico para conseguir ter um site no ar e ver o que consigo fazer nas tão gloriosas redes sociais. Parece um bom plano? A mim parece-me o possível, ainda que, na minha total ausência de confiança, ache que não vá conseguir.
Para terminar, bem posso começar por falar no jornal A Bola e nos meus sonhos, passando depois para este meu projeto atual. A minha luta é só uma: egocêntrica até ao caralho.
