Serve este texto para responder a uma data de perguntas que ninguém fez. Nem vocês, nem eu e, falando por mim, certamente, pelo menos, não da forma correta. Vamos por partes e pelo preâmbulo necessário. Na minha necessidade de wannebismo e procura em sítios estranhos, dei por mim a realizar que os últimos dois livros que li, de gente muito inteligente, sagaz, questionadora mas com respostas q.b., que muitas vezes levam a mais perguntas ainda…
… bem, perdi-me. Mas, se querem sabe – e não querem – um litro de Super Bock pelo final da manhã sem nada do bucho deixou-me um pouco cáustico, se é que já não sou cruel o suficiente para mim e para o Rui de 12 anos.
Portanto, para responde à minha própria merda de introdução: Memórias do Subterrâneo, do senhor Fiodor, e O Estrangeiro, do senhor Albert.
“Eish olha-me para este gajo armado em wannabe e o caralho”. Ya, gente, yada yada, já falei disso lá em cima, get over it.
Os livros são ambos muito interessantes e, embora a leitura seja curta e, de certa forma, relativamente fácil, parece-me que o que vai acontecer é, mesmo provavelmente não tendo entendido o que eles, senhores autores, queriam dizer sobre homem, confirmei bastantes coisas sobre mim, não fosse tudo isto um exercício de egocentrismo de merda.
Identifiquei-me (lol) mais com o senhor do subterrâneo.
Pensar custa, pensar dói, pensar e pensar no que penso é uma das mais excruciantes experiências da minha existência. Pode ser a cerveja a falar, mas acontece que achei graça sofrer da mesma necessidade do antro de vaidade pintado, paradoxalmente, por ácidos que corroem a mente, a barriga, o peito, o coração e, claro, sem culpa nenhuma, quem me rodeia.
Um falso desembaraçamento da vida também foi algo, pelo menos na minha leitura, não sou nenhum Pedro Mexia, me cativou ao ler, nesta instância, pois pretendo repetir Sísifo, o senhor Camus.
A consciência da existência e a existência de pensamento veloz não são mais do que, como refere uma senhora que prezo muito, um carrossel imparável e limitativo simultaneamente. É como se eu fosse o Senna em Imola (foi lá, certo? Não me apetece ir ao Google), sabendo do desfecho. A velocidade é tremenda, o desastre idem, e só a morte parará ambas. Sempre. Tenho para mim, pelo menos.
No entanto, transladando o eixo da cena, é como se cada raio de sol que deixa ver o Palácio da Pena fosse bom. E, por conseguinte, a minha mulher é tudo, a Eva o meu mandamento, e o que está para vir são as lojas a fecharem ao final da tarde na Argélia pós WWII.
Percebo-me, e não entendo merda nenhuma, odiando cada parte que me reconheço nas páginas, por contraste com a eterna esperança da resposta cósmica.
Queimo-me em ódio.
Ardo em amor.
Aceito por completo toda a absurdidade da vida, enquanto penso, penso, penso, penso, penso, penso…
… e penso que não faço nenhuma merda de jeito.
E pensar, por si só, é o desejo do eterno, é o escaparate do que me dói e me dói se mais pensar, porque em mim tudo funciona em contradição.
Dois ótimos livros, um leitor atento.
Uma vida.
O que fazer dela atrás dos meus olhos castanhos-esverdeados?
