Ora muito bem, boa tarde às três pessoas que vão ler este texto e a quem, desde já, deixo um enorme agradecimento por o fazerem, sem ironia. Já não escrevia para aqui desde agosto. Parece que foi ontem mas, simultaneamente, confesso que aparenta ter sido noutra vida. Comecei a trabalhar e o horário dá para o que dá, sendo que escrever ou ir ao ginásio não se coadunam com a rotina até agora implementada, sem que alguém tenha verdadeiramente culpa.
Este texto traz o título daquela que tem sido a maior viagem que ainda vou partilhando convosco via prints ranhosos no Instagram. Vale o que vale, mas desde o meio de agosto até ao dia de hoje, já á vão cerca de oito quilos. Isto, tendo em conta as minhas duas saúdes – mental e física-, acaba por ser uma excelente notícia que me obriga a parar, algo que faço muito pouco, pois a minha cabeça é adversária fantasma e real dela própria numa corrida de Mario Kart, com toda a parafernália que isso envolve.
O peso tem ido, tendo ficado á prometido que se chegar aos 89,9 quilos deixo ficar só o bigode, o que acaba por ser uma desculpa para me obrigar a fazê-lo, pois há muitos anos não uso bigode e, dado em conta o estado a que chegámos, como disse uma vez o outro senhor, o facto de esse acessório de pilosidade facial me fazer parecer um agente da PIDE está em clara consonância com o que a maioria decidiu para este país (e não só).
Mas despejemo-nos de politiquices pois, como bem sabeis, sou um belo exemplar do egocentrismo. Portanto, continuaremos comigo…
O peso tem ido, mas atrás foi também o treino e o ginásio, pelos motivos já elencados. O pouco ginásio que eu achava não fazer nada às minhas dores? Pois, para variar estava equivocado. Pelo menos, segundo consta, estava a manter as dores num nível suportável, o que agora não se verifica. Piores só as dores de cabeça, mas está para breve um tratamento com botox, no qual não tenho esperança nenhuma, para ver se alguma merda muda. I’ll let you know, claro.
Mas então, oh Rui-Miguel-em-apenas-excesso-de-peso, e a saúde mental?
Olhem, não vou certamente discorrer aqui, pelo menos agora, sobre o estado da minha ansiedade, os ataques que me assolam durante o dia, as incapacidades ou tudo o que é temível segundo a minha psique: quase tudo.
Prefiro ressalvar que, mesmo sem terapia há meses, infelizmente, tenho tentado trabalhar a aceitação e, depois da guitarra (que juro que vai regressar mas de forma saudável, foda-se), incuti em mim a noção de que não há muito que possa fazer em relação ao ginásio no contexto a rotina diária e profissional. E sabem uma coisa? Está tudo bem.
Por conseguinte, concluí eu, cabe-me não morrer com esta aceitação solitária. É preciso ação conjunto, pelo que se antes metia fotos no ginásio para me motivar, ou algo assim, julgo que em breve verão fotos de um qualquer tapete ou vídeo do YouTube, diretamente da minha sala de estar. Duas vezes é melhor que zero, dez minutos é melhor que nada. Obrigado e boa semana.
