A dor de voltar a escrever

Peguei em dinheiro que até me fazia falta e paguei a merda do site, para que este ficasse de novo up and running nos meandros da web. Porquê? Porque me apetecia voltar a escrever. Isso sim, sem dúvida. Tal como me apetece ler ou tocar guitarra, tal como me apetece trabalhar com mais competência e afinco. O problema? A ausência de resultados práticos mediante uma vontade abstrata e toldada por uma dor concreta e a incapacidade associada.

A verdade, três pessoas que me lêem, é que sou a inutilidade em pessoa.

A mais pura das verdades, meus poucos mas excelentes e incansáveis amigos, é que me custa conseguir, palavra que trago tatuada no braço direito como um aviso, uma motivação e uma espécie de premonição para os anos que se seguiram ao desenho da mesma na pele. Tudo piorou a nível interno. Tudo melhorou à minha volta. Paradoxal? Sim. Completamente certeiro? Também.

Julgo, ou tenho quase a certeza, que esta vontade de escrever advém da já referida dor, da imensa dor, da profunda dor, do sofrimento avassalador. E se, como a maioria da malta, não tenho quaisquer intenções de monetizar porra nenhuma na interna, qual o motivo para continuar a fazer isto?

É o transbordo. É a inundação e o naufrágio. De dor.

Faço-o por mim, porque respiro e preciso de exalar estas merdas todas. Faço-o, também, e não minto, por alguém que me possa ler e encontrar alguma coisa aqui. Ao fim ao cabo, temos de ser uns para os outros, dado que a empatia se tornou rara e, segundo muitos, um traço tóxico e woke. Apesar de esses filhas da puta usarem a palavra woke de uma forma demoníaca e falsa. Mas que seja. Serei.

Poderia ser mais simples do que isto tudo: um gajo gosta de escrever e de ser lido, usando os meios atuais para o efeito. Parece-me legítimo, mais que não seja para perdoar-me por continuar a tentar aceder-me através da externalização. Sei bem, meus caros, que é na tundra onde está o Rui de 12 anos que tenho que resolver esta merda.

A dor é fria, a dor ferve, é confortável, ao mesmo tempo que torna o mundo, salvo o pleonasmo, doloroso até ao caralho. Também serve para escrever e é o que estou a fazer.

Afinal – e simplificando para bem da minha saúde -, só queria conseguir voltar a encher uma página com letras e palavras, escritas sempre a jorro, pois a falta de inteligência e criatividade não dá para mais.

Pois bem, assim o fiz.

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